| Editorial |
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Porque estamos fazendo o IBV Carta de Armando Conde, Presidente do Instituto Brasil Verdade para um amigo sobre o papel do IBV Meu caro amigo Rossetti, Se quando tinha 30, 40 e até 50 anos, nas empreitadas que eu me metia, já era muita coisa para pouco Armando, imagine agora? Isso é para justificar a demora da minha resposta. Como a gente se fala pouco, apesar de eu nunca ter reclamado de tempo, é para que você entenda, como é que o Instituto Brasil Verdade surgiu. Surgiu porque sou injuriado e injuriado do Sul da Itália, razão pela qual continuo vendo um monte de gente, falando e pouco fazendo. Resolvi catando os amigos mais próximos, tentar fazer qualquer coisa. O qualquer coisa tem muito sentido. Se fosse para fazer um banco, fazendo alguns cursos de safadeza, até seria capaz de fazer um banco, se fosse para fazer loteamento, não teria muita dificuldade, agora para montar um esquema para combater a safadeza que é feita debaixo do nosso nariz sem cerimônia, desse assunto não entendo nada. Há dois anos atrás, eu não sabia nada e hoje continuo não sabendo, só que um pouco menos. E, é preciso que se diga que não nasci para ser mais um da direita festiva, que fala, fala, tenta se organizar e acaba não fazendo nada. Ao contrário dos outros, pelo menos um defeito nós não temos. Desde a época do Mato Grosso, onde formamos a Apamara que acabou virando o Instituto do Pequeno Produtor, com lutas pelas hidrovias Araguaia Tocantins, pelo modelo de reforma agrária feita em 6 ha completando já o 13º ano de existência, que desde o início por ser uma iniciativa de Codeara com a Embrapa tentamos fazer com que o INCRA se interessasse com a idéia e agora com a Dra. Marina Silva que deve só pensar e sonhar com o Chico Mendes, nada foi feito. Para ilustrar o INCRA desapropriou na região 1 milhão de ha!!!! e financiou até gado leiteiro!!! Tivemos sempre a preocupação de termos um programa, um orçamento e um profissional para executar o programa. A segunda iniciativa já no Guarujá foi uma associação, Adelg, que juntou os proprietários das terras da Serra do Guararú, é um maciço no final da praia do Perequê que vai até o final da Ilha, se você quiser saber mais sobre isso, estou as suas ordens. O Brasil Verdade como já dizia, a idéia inicial continua, é COBRAR. Você que começou sua vida com reorganizar empresas, já viu alguma coisa que funciona sem cobrança? Voltando as suas observações, vou procurar responder parágrafo por parágrafo. Com relação ao seu primeiro parágrafo, do Bill Gates, estou me convencendo que só dinheiro não resolve nada e também sem ele não se faz muita coisa, que é o nosso caso. Inicialmente, copiando mais ou menos o que o meu amigo Delfin dizia, primeiro vem o faroeste e depois vem o xerife, com isso querendo dizer que as pessoas colocam a mão no bolso o dia em que elas acreditarem que o seu programa é importante e as pessoas envolvidas são honestas e capazes. A questão dos R$ 50,00, é para que a gente pudesse alargar a base da pirâmide, coisa que não estamos conseguindo fazer por que não tem nenhum de nós que entenda, como conseguir captar recursos, sem se envolver com intermediador, que normalmente causa má impressão. Qualquer sugestão será muita bem vinda. Hoje a parte do social, por bem ou por mal, ela está funcionando e nós estamos sendo considerados, como você deve ter notado no dia da Assembléia pelo Instituto Ethos, Amarribo e Voto Consciente. Esse pessoal, já moeu pedra antes de nós, quem sabe aprendemos alguma coisa com eles. O que estamos procurando é justamente mostrar com pouco recurso, que você criticou isso na sua carta, por temos mostrado no dia da Assembléia a escassez de recursos. Isso foi proposital, para ver se o pessoal se tocava, coisa que não aconteceu. Concordo plenamente contigo, só que não tenho capacidade para conseguir com os que acreditam no Brasil Verdade, contribuam mais efetivamente. Uma coisa que você não sabe, é que estamos empenhados em uma obra que se der certo resultado, nós passaremos a ser olhados com mais boa vontade pelo público e contribuir com as nossas façanhas. Resumidamente, este País está hoje impregnado com o excepcional mau cheiro causado pelos maus políticos, que tirando uma meia dúzia é o que existe. Partimos do principio que como está aí, se é impossível fazer as reformas no que quer que seja, sem que mude os políticos. A partir disso, no Guarujá, estamos empenhados em iniciar esta obra, demorada, penosa, mas que se conseguimos implantar no Guarujá, teremos um exemplo que garanto será abraçado por muitos municípios. Guarujá é um município complicado, perverso, mas que deslumbramos uma forma de poder interferir. Ele foi escolhido por que a Adelg e o Instituto Brasil Verdade estão lá, com obras sociais. Nesse ponto é possível que eu descorde totalmente, visceralmente com a sua opinião que diz “Quanto à área educacional não vejo muita graça em formar o pessoal em profissões pouco charmosas como empregada doméstica, jardineiro, zelador, etc.” Fazemos parceria com Sebrae e outros órgãos, além de organizações religiosas para ministrar cursos rápidos de 3, 4 meses, justamente para cobrir a falta que existe hoje da capacitação. Não está faltando só emprego, está faltando é gente capacitada. Nossa primeira aula ou curso foi de limpador de piscina, isso hoje está em inglês e espanhol para hotéis e restaurantes por causa do turismo. Na primeira entrega de diplomas que eu fui ao Guarujá entregar, eram 68 formados, 11 faltaram e quando fui descobrir porquê faltaram, porque os 11 já tinham arrumado emprego. Por isso meu caro jovem, não concordo com você mesmo, hoje já entregamos mais de 1.500 diplomas e tem muita gente empregada. Com relação aos conselheiros, tem os que fazem mais e os que fazem menos. O Senhor poderia se candidatar, por que estou precisando de gente que trabalha, por que nem todo mundo quer trabalhar, é preferível fazer a queixa, mas trabalho que é bom, muita pouca gente tem idéia. Os pulos altos em educação desde que nós começamos na Politécnica, é uma grande preocupação que temos. Mas não adianta começar pelo telhado. E quanto a isso dentro do Brasil Verdade na parte social, nós temos um projeto de criar-se uma escola modelo. Não tipo CEU da Dna. Marta e nem as bobagens do Brisola carioca gaúcho, mas uma coisa que seja compatível. Juntar iniciativa privada com a pública e fazermos projetos compatíveis com a realidade possível de finanças e de capacitação técnica. Mas adiante, a questão da impunidade e da corrupção, ela tem que começar em algum lugar. Nós escolhemos o Município, por que é onde as pessoas que votam enxergam os votados, de prefeito à vereador que é mais fácil cobrar sem grandes artifícios. No momento além da parte social, que nós estamos cumprindo até com poucos recursos, se você olhar o site com tão pouco recursos, verá o milagre que isso representa. O Ruschel que você conheceu e é o único profissional pago do Brasil Verdade, falou uma grande verdade: nós teremos cumprido a primeira etapa da nossa missão no dia em que alguém substituir o Brasil Verdade na liderança desse movimento e elucidação no combate a corrupção, a impunidade e outros nichos. Estive numa reunião no Instituto Ethos, onde o tema era elaborar um pequeno plano no combate à impunidade. Eram poucas pessoas, mas entre eles estava o Presidente da Associação de Magistrados do Brasil, que quando foi a vez de falar começou com a elucidação do labirinto jurídico e administrativo, e que se não for mudado, a impunidade será eterna nesse País. Hoje, outra vez no Guarujá estamos iniciando um novo tipo de batalha. Veja você que sendo proprietário de uma casa na praia de Pernambuco pago o IPTU salgadíssimo. Fui a uma reunião na qual o presidente da Associação dos Amigos da Praia de Pernambuco explicava os absurdos da má vontade e até interferindo negativamente na vida do nosso bairro, soube que a prefeitura apesar do polpudo IPTU que recebe, nem coleta de lixo faz no nosso bairro. O motivo de eu ter ido foi também para ver a reação dos presentes ao anúncio da candidatura de uma moça do Guarujá que é uma política nata, a ser vereadora. A reação foi ótima. Esta moça mais dois vereadores que comungam nossas idéias conseguiram abortar a safadeza que iam cometendo o Prefeito e os vereadores votando um plano diretor, no qual todas as áreas que não tivessem projeto na Prefeitura seriam consideradas Áreas de Preservação Permanente (A.P.P.), depois de meses todos os envolvidos mais audiências públicas, teriam mandado para votação outro projeto totalmente isento de irregularidades. O resultado foi que frustrou-se a oportunidade da corja extorquirem dinheiro dos infelizes, porque nada poderia ser feito nas suas propriedades. Tem que mudar os políticos. Como? No Guarujá? Vamos cadastrar todos os proprietários de imóveis que não residem no Guarujá e tentar convencê-los a mudar a residência e o título de eleitor para o Guarujá. Devemos conseguir porque a causa é nobre e de fácil convencimento. Guarujá tem muitos proprietários que são da classe média, que é aquela que paga o lucro dos bancos e a bolsa família entre outras coisas. Faço questão de explicar tudo isso, para que você entenda, ajude, goste e ajude a aumentar o quadro de associados. Estou sempre as suas ordens para qualquer outro tipo de esclarecimento, mas agradeço sem dúvida o seu tipo de colaboração. Um grande abraço. Armando Conde Carta de Carlos Rosseti para Armando Conde Prezado Armando, Dias atrás li uma crítica ao Bill Gates e outros milionários do mesmo porte, dizendo que apesar de seus gigantescos gastos com benemerências eles não aplicam nisso mais de 10% de suas fortunas. Você está pior, deixando o coitado do Diretor Financeiro do IBV numa saia justa na exposição das finanças da entidade, com um saldo em caixa de R$ 6.000,00. Era estranho em uma reunião com tanta gente abonada dar uma de pobre pedindo contribuições de R$50,00/mês e informando que o Clube tinha cedido o local da reunião gratuitamente. Se a idéia for o IBV atuar apenas no Guarujá e em outras cidades pequenas é possível continuar assim. Agora, se você pretende atuar a nível Brasil como parece por tudo que foi falado na reunião, vai ter que meter a mão no bolso e estipular uma verba que você está disposto a contribuir para que o negócio funcione. O resto que vier será lucro. Ai não será suficiente apenas o Rogério que me parece ser o único executivo, haverá necessidade reforçar a estrutura da entidade. Também não adianta ter tantos Conselheiros. É melhor ter poucos atuantes do que muitos que não participam. Mesmo porque uma reunião com 20 conselheiros deve ser difícil de organizar e mais difícil ainda de produzir resultados. Quanto à área educacional não vejo muita graça em formar o pessoal em profissões pouco charmosas como empregada doméstica, jardineiro, zelador, etc. É claro que é melhor pingar do que secar, mas o importante é colaborar para a formação técnica de nível médio dos jovens brasileiros.Este pais está coalhado de doutores mas tem pouca gente bem formada no meio campo. Sem dúvida houve um avanço muito grande nas suas idéias desde a criação do IBV, com o abandono da intenção de “mastigar” as informações para que elas fossem assimiladas pelo pessoal mais humilde. Mas o IBV já enveredou por duas atividades diferentes e complicadas, principalmente considerando a estrutura atual da entidade: educação e combate à corrupção. Sem dúvida hoje existem no Brasil milhares de pessoas físicas e jurídicas que se dedicam ao combate à corrupção. O ideal seria que elas juntassem as forças, mas isso é difícil porque todos querem aparecer. Infelizmente neste país não existe o espírito japonês de ficar anônimo e trabalhar em grupo. Como neste relatório estou expondo meus pensamentos, lembrei-me de um artigo sobre um engenheiro norueguês que estudou nos EUA e trabalhou em empresas aero espaciais. Mas ele ficou muito rico aplicando o dinheiro em atividades imobiliárias. Quando se aposentou, voltou à Noruega e instituiu uma espécie de prêmio Nobel, evidentemente com o nome dele. Nessa altura do campeonato creio que se você tiver os recursos, essa é uma idéia simples de aplicar e interessante de analisar. A beleza desse procedimento é que ele não morre junto com a gente, os herdeiros podem dar continuidade e se contribui para o desenvolvimento da ciência nacional e para a melhoria da remuneração dos cientistas que são muito pouco reconhecidos. Abraços Carlos |



